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Nada mais entre quatro paredes
22/03/2012

Acima, o teto de estrutura transparente deixa ver os sensores responsáveis pela captura de movimentos e pelo acionamento dos painéis luminosos. Os móveis trazem variações de azuis, verdes e roxos, escolhidas para ática do espaço.

Idealizado por equipe multidisciplinar de profissionais, com base em uma pesquisa do NOMADS.usp (Núcleo de Estudos de Habitares Interativos da Universidade de São Paulo), o novo projeto do Estúdio Guto Requena com a IO Design torna um ambiente o seu próprio termômetro. Por meio de sensores e painéis luminosos, o escritório – uma sala comercial de 55 m² – reproduz na parede e no site da empresa tudo o que acontece em seu interior. A seguir, confira os detalhes em matéria exclusiva para ARC DESIGN.

Como você se sentiria se uma luz acendesse na parede do escritório em que trabalha ao você se levantar da cadeira e, automaticamente, outras pessoas soubessem disso pela internet? Esta é uma das novidades introduzidas no novo projeto de espaço comercial desenvolvido pelo Estúdio de Guto Requena e pela empresa IO Design. Como foi conseguido este efeito? Ele é o resultado da pesquisa de mestrado do arquiteto Requena e da parceria criativa com Gabriela Carneiro. Assim se materializou esta nova experiência, a de um local que alia tecnologia à arquitetura. Ambiente Interativo D3, a nova sede da produtora digital em São Paulo, adiciona novos canais de comunicação ao cotidiano.

Criado a partir de um "brainstorming" com profissionais de diversas áreas e da pesquisa intitulada "Habitares Híbridos", realizada por Requena para o NOMADS.usp, o espaço tem sistema interativo de monitoramento de ações e conexão direta com a internet. No teto, sensores ultrassônicos de distância captam os movimentos das pessoas e acionam painéis compostos por triângulos luminosos, instalados nas paredes, que transmitem as informações por meio de padrões diferenciados. Segundo o arquiteto e autor do projeto, alguns movimentos habituais, como abrir e fechar as portas, já foram pré-programados com alguns padrões específicos, contudo não há outras repetições e o sistema é reprogramável.

"Não queríamos que tivesse um princípio de ação e reação. Então, não será acionado o mesmo padrão todas as vezes que alguém levantar e bater palmas, por exemplo. O canal é aberto e o cliente deve ter intimidade com a programação", afirma.

Esta aproximação é garantida pela combinação arquitetura + tecnologia. O sistema que liga os sensores aos painéis de luz também é conectado à internet, que hospeda uma biblioteca virtual de comandos. Este aplicativo dá acesso aos valores dos sensores e aos controles dos triângulos luminosos, expandindo a possibilidade de apropriação do espaço pelos clientes da D3. Estes podem utilizar as ferramentas interativas para obter os resultados desejados – inclusive em outros websites, não somente na página da empresa.

Acima, Guto Requena e Gabriela Carneiro, idealizadores do projeto Ambiente Interativo D3.

Outros elementos do projeto também valorizam o conceito do "hibridismo" dos espaços, mesclando inovações estruturais à manutenção de algumas características originais do imóvel. O contrapiso recebeu camadas de verniz – para destacar as imperfeições – e o forro de gesso foi substituído por sistemas elétrico, hidráulico e de ar-condicionado. A estrutura-base, parcialmente coberta pela marcenaria, com três tipos diferentes de madeira, também cria diferentes efeitos visuais dentro da narrativa proposta. Os móveis "híbridos", com rodízios acoplados, permitem mover as estações de trabalho, a fim de reconfigurar o ambiente de acordo com a necessidade dos usuários.

Primeiro investimento do Estúdio Guto Requena em espaços interativos, que já era uma especialidade da IO Design, o Ambiente D3 será o espelho para novas parcerias e projetos futuros. Localizado na Avenida Paulista, ao lado do MASP, o escritório reflete a preocupação da arquitetura e do design em explorar as possibilidades oferecidas pela tecnologia digital para criar novas camadas de interação e narrativa. "O objetivo é fazer o cliente olhar para o espaço de uma maneira mais poética", declara Requena. O conceito é antigo, mas o exemplo muito prático e atual: se antes o hibridismo era intrínseco aos móveis e objetos do ambiente, agora ele abrange o seu universo.

 

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