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REVISTAREVISTA

Para falar de Berlim
20/04/2012

Nas imagens, os contrastes da cidade europeia contados sob a óptica do fotógrafo paulistano Tuca Vieira.

Nádia Fischer

Memorial do Holocausto (oficialmente memorial aos judeus assassinados na Europa), projetado por Peter Eisenman. Acima, o memorial do Muro de Berlim na Bernauer Strasse, símbolo da divisão alemã. Por trás desta parede estilizada, ainda é possível encontar os restos da construção anterior.

O encanto do fotógrafo paulistano Tuca Vieira por Berlim começou há muito tempo, ainda nos livros de história. Quem conhece a capital alemã sabe que, num rápido passeio, é possível fazer uma leitura éculo XX para o país. E foi justamente esta experiência que ele quis transformar em fotografia. "Sempre tive o desejo de mostrar não só a cidade, mas sua atmosfera, e por que não traduzi-lo em imagens?", diz.

Como sempre quis mostrar para as pessoas sua interpretação da noite berlinense, Vieira teve a ideia de criar a "Berlinscapes", exposição que começou na Gallery, em Nova York, e terminou em agosto na Fauna Galeria, em São Paulo. A mostra reuniu 14 fotografias feitas por Tuca Vieira em Berlim, onde viveu três meses, em 2009.

À esquerda, base da torre de televisão em Alexanderplatz. O ponto em que a foto foi tirada não tem visão acessível da rua. À direita, antigo edifício do Ministério da Aviação em Wilhelmstrasse, um dos mais importantes edifícios nazistas ainda existente em Berlim. Atualmente é usado pelo Ministério das Finanças alemão.

Além da predileção pela cidade alemã, o fotógrafo, que por anos se dedicou ao fotojornalismo, conta que começou a fotografar espaços urbanos e toda a arquitetura que o cerca quando sentiu a necessidade de se especializar em um assunto específico.

"'Berlinscapes' é um exemplo, pois o conceito foi além do documental", conta Vieira, que através das lentes explora, ao máximo, a capacidade de se contar uma história. E Berlim é assim. Em sua opinião, a capital consegue contar sua trajetória por meio da arquitetura e lugares. "Para mim, existe uma relação física entre a história da cidade e a arquitetura", afirma.

Ao todo, foram escolhidos 60 locais por onde o fotógrafo percorreu, na maioria das vezes de bicicleta, à noite, período em que conseguiu capturar a "alma" silenciosa da cidade. Apesar da coletânea variadade fotos, somente 35 foram editadas e, destas, 14 escolhidas pela curadora Ilana Bessler. Segundo o fotógrafo, boa parte, num futuro próximo, será colocada em um livro. Em Nova York foram exibidas 12 e, em São Paulo, acrescentadas duas inéditas. Outra curiosidade é que em todas elas não há presença de pessoas que, na verdade, aparecem por meio de impressões deixadas nas construções monumentais por elas realizadas.

Parque às margens do Rio Spree, arquitetos Weber & Sauer

Marcas comunistas
Na verdade, o interesse de Tuca Vieira por Berlim surgiu em 1991, quando viajou pela primeira vez para a Europa. Na ocasião, ficou muito impressionado com as marcas deixadas pelo regime comunista, que antes da queda do muro dividiu por anos a Alemanha. Por isso, sua estadia na cidade foi com o propósito de capturar um grande número de imagens.

Ele conta que antes da viagem realizou um extenso trabalho de pesquisa, que o ajudou na criação de um roteiro seguido à risca. Ao resumir sua percepção em relação a Berlim, o fotógrafo, que ficou a maior parte do tempo hospedado em Prenzlauer Berg, diz que não esperava um lugar tão tranquilo.

Um pouco mais sobre Tuca Vieira
Formado em letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (1998), com habilitação em alemão, Tuca Vieira é fotógrafo profissional desde 1991. Trabalhou no Museu da Imagem e do Som, no Sesc-SP e na agência N-Imagens. Fez parte da equipe de fotografia do jornal "Folha de S. Paulo" de 2002 a 2009. Atualmente, é fotógrafo independente e desenvolve projetos envolvendo cidade, paisagem urbana, arquitetura e urbanismo.

Em 2010, o paulistano conquistou o Prêmio Porto Seguro, na categoria "São Paulo". Suas obras estão em acervos de grandes museus, como MASP, Itaú Cultural e Kiyosato Museum of Photographic Arts (Japão), entre outros. Realizou exposições individuais em São Paulo, Brasília e N.York, além de ter participado de coletivas em Veneza, Londres, Madri, Berlim, Munique e Buenos Aires.

 

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